Como funciona o complexo de mineração em Brumadinho


A Mina Córrego do Feijão, onde está localizada a barragem que se rompeu na sexta-feira (25.01), em Brumadinho (MG), produziu no ano passado 8,5 milhões de toneladas de minério de ferro, que é equivalente a 2% da produção de minério de ferro da Vale.




A mina faz parte do Complexo de Paraopeba, cuja produção foi de 27,3 milhões de toneladas em 2018 – cerca de 7% da produção da Vale. Esse complexo possui 13 estruturas utilizadas para disposição de rejeitos, retenção de sedimentos, regulação de vazão e captação de água.

Dentro da mina há sete barragens que armazenam os resíduos após a separação do minério rico, com valor econômico, do rejeito, que é material sem demanda de mercado.

Com o rompimento, os 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos da Barragem I vazaram pela região, deixando um rastro de destruição e morte. A lama com rejeitos de minério de ferro fez desaparecer o refeitório, que estava lotado de funcionários no momento da tragédia, e o centro administrativo.

 
Caminho da lama: veja por onde passaram os rejeitos da barragem rompida em Brumadinho (MG)  Foto: Betta Jaworski/G1



De acordo com o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e a Agência Nacional de Mineração (ANM), a barragem que se rompeu tinha a maior classe da legislação ou seja, de grande potencial poluidor, e a categoria de dano potencial associado alto, que traz perdas de vidas humanas e impactos econômicos, sociais e ambientais.



No entanto, estava inativa e não recebia rejeitos desde 2015. De acordo com a Vale, estava em desenvolvimento o projeto de retirada de todos os rejeitos contidos na barragem e recuperação da área ambiental.



Com o rompimento, três das outras seis barragens foram atingidas pelo rejeito que vazou, sendo que somente a Barragem VI sofreu impacto e está sendo monitorada em tempo real.



Como funcionam as barragens



As barragens de rejeitos de minério de ferro são construídas para armazenar resíduos resultantes do beneficiamento, que é quando ocorre a separação do material rico do rejeito. A barragem é como uma barreira. Lá ficam dispostos os rejeitos gerados no processo de beneficiamento do minério.

 
Detalhes sobre as barragens da Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG) — Foto: Juliane Souza/G1



A barragem que se rompeu usava o sistema “a montante”, que cresce por meio de camadas, chamado de alteamento (ou elevação), feito com o próprio rejeito que resulta do beneficiamento do minério de ferro. O rejeito é formado basicamente por ferro, sílica e água.



A mineração nesse tipo de barragem faz uso de água para beneficiar o material, valendo-se de grandes reservatórios. Por isso, no processamento do minério de ferro, o rejeito tem alta umidade. O risco se dá devido ao estoque de grandes volumes de água, que podem causar rompimento da estrutura de contenção.

Fonte: G1.com.br