A fuga da violência e da adversidade

Nunca tantas pessoas deixaram seus locais de origem como agora, à procura de segurança e de uma vida melhor. Muitos rumam para a Europa, mas a maior parte recorre a regiões próximas, fugindo de crises e guerras.

Mexiko Migranten (picture alliance/dpa/Str)
Migrantes viajam no teto de um trem no México: muitos morrem a caminho dos EUA
Cada vez mais pessoas deixam os países em que vivem em busca de uma vida melhor para si e suas famílias ou porque precisam fugir de crises humanitárias, opressão e perseguição. Segundo estimativas das Nações Unidas, cerca de 244 milhões de pessoas em todo o mundo já não vivem no país onde nasceram.
Assim, o número de migrantes aumentou significativamente – em 1990 eles eram cerca de 153 milhões de pessoas. Em breve, eles podem se tornar ainda mais numerosos: de acordo com uma pesquisa da Organização Internacional para as Migrações (OIM) realizada em 160 Estados, cerca de 23 milhões de pessoas estão se preparando para emigrar.
Embora muitos suspeitem do contrário, a maioria dos migrantes não busca refúgio na Europa. Cerca de 90% de todos os refugiados vivem, de acordo a organização alemã de ajuda humanitária Brot für die Welt, em países em desenvolvimento, muitas vezes em nações africanas. A maioria deles se desloca internamente em seu próprio país ou busca abrigo no país vizinho. Falta dinheiro para viagens a locais mais distantes.
Refugiada do Sudão do Sul e sua filha de um ano em Uganda
Refugiados do Sudão do Sul em Uganda: migrantes recebem terras para cultivar
Viajando à noite: África Oriental
Muitas pessoas procuram proteção na Etiópia, por exemplo. O país ocupa o quinto lugar entre os que recebem mais refugiados em todo o mundo, especialmente da vizinha Somália. Desde o início dos anos 90, a Somália vive uma guerra civil.
De acordo com números da ONU, cerca de sete milhões de cidadãos do país dependem de ajuda humanitária, e 800 mil estão ameaçadas pela fome. Mais de um milhão de pessoas já fugiram da Somália, se dirigindo, além da Etiópia, para o vizinho Quênia, onde está localizado o maior campo de refugiados do mundo.
Também na África Oriental, Uganda é extremamente popular por suas generosas políticas de refugiados perante os habitantes da República Democrática do Congo e do Sudão do Sul – países abalados pela guerra civil e por agitações. Os refugiados recebem em Uganda terras que podem cultivar eles mesmos.
No entanto, a fuga do Sudão do Sul é extremamente perigosa. Com medo de encontrar soldados, muitos viajam principalmente à noite. "Toda noite, rezamos para que possamos chegar a Uganda vivos", diz uma mulher em um relatório de julho de 2017 da organização humanitária Care.
Homem se barbeia em abrigo para migrantes no México
Homem se barbeia em abrigo para migrantes no México
A morte espera no caminho: América Central
Desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, exigiu a construção de um muro ao longo da fronteira EUA-México, a migração voltou ao foco no continente americano. Não há números sobre quantas pessoas atravessam a fronteira a cada ano. De acordo com estimativas do Instituto de Políticas de Migração dos EUA, cerca de 11 milhões de imigrantes vivem nos EUA, e metade deles é do México.
Além disso, muitas pessoas usam o México como um país de trânsito, vindas de El Salvador, Guatemala e Honduras. De acordo com a Anistia Internacional, enquanto até 2010 principalmente homens jovens fugiam em direção ao norte, agora famílias inteiras estão se deslocando para escapar da violência de gangues criminosas em seus países de origem.
Quando elas não conseguem pagar traficantes de pessoas para ajudar na jornada, elas rapidamente se tornam vítimas fáceis do crime organizado: cartéis patrulham as margens do rio perto da fronteira e matam implacavelmente – como forma de dissuasão. Não há estatísticas exatas sobre os assassinatos, mas constantemente são encontradas valas comuns.
De acordo com a OIM, mais de 340 pessoas morreram perto da fronteira mexicana em 2017: aquelas que não foram assassinados por gangues morreram afogadas, provavelmente tentando atravessar um rio. Alguns também foram mordidos por cobras ou escorpiões ou morreram de sede no calor escaldante. Em muitos casos, a causa da morte não foi esclarecida. Frequentemente são encontrados restos humanos nas áridas montanhas do sul do estado americano do Arizona, por exemplo.
Desamparados no mar: Sudeste Asiático
Barcos repletos de refugiados não existem apenas no Mediterrâneo, mas também no Sudeste Asiático. De Myanmar e Bangladesh, cada vez mais pessoas tentam fugir para a Tailândia, Malásia e Indonésia.
A maioria são rohingyas, uma minoria muçulmana perseguida, torturada e oprimida em Myanmar, de maioria budista. Centenas de milhares de rohingyas fugiram para Bangladesh desde meados do ano. Muitas vezes, pessoas ficam por semanas no mar, à deriva, pois os Estados vizinhos abastecem os refugiados com combustível, água e comida, mas se recusam a acolhê-los.
Refugiados rohingyas em uma canoa
Refugiados rohingyas: muitos ficam semanas à deriva no mar
A rota de refugiados através do Golfo de Bengala já se tornou economicamente interessante para muitos traficantes de pessoas, e dezenas de milhares de refugiados recorrem à ajuda deles todos os anos.
De acordo com a fundação Asienhaus, os contrabandistas atuam de forma extremamente brutal. Eles manteriam refugiados presos na selva, cobrando resgate para soltá-los e os torturariam nos barcos, espancando aqueles que pedem água ou comida durante a viagem.
A jornada pode ser fatal: mais de 200 valas comuns foram encontradas perto dos campos de refugiados na fronteira entre a Tailândia e Malásia. Mas permanecer em seus lares não é opção para os rohingyas. A organização Médicos sem Fronteiras informou que entre o final de agosto e o final de setembro cerca de 6.700 membros da minoria foram mortos em Myanmar, incluindo muitas crianças
Fonte: http://www.dw.com/pt-br/a-maioria-dos-refugiados-n%C3%A3o-est%C3%A1-na-europa/a-41841830

Café Brasileiro é o mais caro do Mundo

Café produzido em MG bate recorde de mais caro do mundo em leilão; quilo foi comprado por mais de R$ 915
Saca de produto de fazenda em Patrocínio foi arrematada por R$ 55 mil. Último recorde tinha sido de R$ 18 mil, segundo Associação Brasileira de Cafés Especiais.

Café especial foi comprado por japoneses e australianos em leilão (Foto: Marcos Santos/ USP Imagens)
Foto: g1.globo.com
de Patrocínio, no Alto Paranaíba, o café especial mais caro do mundo. A saca de 60 Kg do produto foi comprada em um leilão internacional realizado virtualmente pela Alliance for Coffee Excellence (ACE) por R$ 55.457,60. O quilo do café, que equivale a cerca de R$ 917, foi adquirido em seis sacas por japoneses e australianos.
De acordo com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), o recorde mundial foi conquistado em 13 de novembro após o cafeicultor de Patrocínio figurar como campeão da categoria “Pulped Naturals" - cereja descascado, café produzido por via úmida -, do concurso Cup of Excellence realizado no Espírito Santo em outubro.
O recorde anterior foi alcançado no mesmo leilão, em 2016, quando o lote de um produtor da Fazenda Santa Bárbara, em Piatã (BA) foi comprado por R$ 18.921,67 a saca.


Café especial movimentou no varejo bilhões em 2016 


O produtor recordista, Gabriel Nunes, de 28 anos, da Fazenda Bom Jardim, contou ao G1 nesta terça-feira (12), que o café Bourbon é cultivado a 935 metros de altitude, com grãos colhidos manualmente. Além disso, o lote vencedor passou por processo de fermentação, foi descascado e secado por 23 dias.
"Os seis lotes vendidos a preço recorde são de grãos muito bem tratados e finos, no entanto não esperava um valor tão alto. O recorde do ano passado foi de cerca de R$ 18 mil, então a minha expectativa era de R$ 25 mil. Somos uma empresa familiar e estamos muito felizes, pois temos uma equipe dedicada. O objetivo agora é continuar crescendo no mercado", comemorou.
Um levantamento encomendado pela BSCA revelou que o mercado de cafés especiais movimentou no varejo, em 2016, R$ 3,2 bilhões. Entre 2012 e 2016 o crescimento médio anual foi de 18,1% no consumo de café especial, que é um café tratado com diferencial na pós-colheita.
Fazenda Bom Jardim  é familiar e produziu o café mais caro do mundo, diz BSCA  

Cerrado mineiro

A fazenda de Nunes fica na região do Cerrado Mineiro. De acordo com o Sebrae, que fornece consultoria para cafeicultores do local, a disposição do produtor favorece a obtenção da altíssima qualidade do grão.
“A taxa de renovação anual da fazenda de Gabriel é de 15%, enquanto que a média dos outros produtores da região é de 7%. Apesar de ter um custo elevado, a renovação do parque cafeeiro confere mais qualidade ao café”, explicou o consultor do projeto Educampo do Sebrae em Patrocínio, Caio Lazarini.
Café foi colhido manualmente e secado por 23 dias 

Cup of Excellence

O Cup of Excellence é um concurso que começou a ser realizado no Brasil em 1999 e depois também passou a ser difundido para vários países. A competição reúne jurados internacionais que avaliam lotes de cafés especiais produzidos nos países onde é organizado.
O concurso reúne produtores nacionais de café arábica e um júri com reconhecimento internacional, em rigorosas rodadas de análise sensorial de cafés de alta qualidade.
No Brasil, concorrem amostras de cafés lavados e cerejas descascados e, desde 2010, amostras de cafés naturais. As competições ocorrem somente com amostras de produtores de um mesmo país. No entanto, as maiores notas obtidas até hoje nas duas categorias em todo o mundo foram registradas no Brasil.

Fonte: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/cafe-produzido-em-mg-bate-recorde-de-mais-caro-do-mundo-em-leilao-quilo-foi-comprado-por-mais-de-r-915.ghtml

Janeiro de 2018 usinas de SP não poderão mais queimar palha da cana-de-açúcar

Colheita agora só com máquinas. Medida é boa para o meio ambiente, mas preocupa quem ainda vive do corte manual.


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Foto: agrimanagers.wordpress.com
A partir de janeiro, as usinas de São Paulo não vão mais queimar a palha da cana-de-açúcar. É uma medida boa para o meio ambiente, que tem consequências diretas para quem vive do corte manual.
Foram dez anos de adaptação para acabar de vez com a chuva de cinzas que sufocou o interior de São Paulo por décadas. Tudo ficava coberto pela queima da palha da cana. Um acordo entre usinas e governo estadual põe fim às queimadas. Colheita agora só com máquinas. Só nesse período de adequação, a Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo estima que 65 milhões de toneladas de poluentes já deixaram de ser lançadas no meio ambiente.
A máquina, é claro, aumentou a produtividade nos canaviais paulistas. Hoje, uma máquina colhe em média 40 toneladas de cana por hora. Isso equivale ao resultado do trabalho de pelo menos dez homens. Mas, para essa tecnologia entrar em campo, foi preciso investir em treinamento. Foi aí que a vida da turma começou a mudar.
Desde 2007, o setor profissionalizou 400 mil cortadores de cana. Mas, para a maioria, o fim das queimadas trouxe um pesadelo. “Para mim, ia continuar a mesma coisa, aí depois foi falando que ia acabar a queima de cana, foi diminuindo um pouco e agora que diminuiu mesmo”, disse o trabalhador rural Sebastião Antônio dos Santos.
A cidade de Guariba, que chegava a receber 9.500 trabalhadores durante a safra, hoje recebe cerca de 150. “Muito desemprego, muitas pessoas até passando necessidade e outros que voltaram para os seus estados e não puderam voltar mais para São Paulo por falta de emprego”, afirmou o presidente do Sindicato dos Empregados Rurais, Wilson Rodrigues da Silva.
Quem conseguiu trocar o facão pelos botões de uma máquina moderna, hoje vive bem melhor. “Foi ótimo”, diz o operador de máquina Cleber Gustavo Pavão. Se ele pensa em voltar para o corte da cana? “Não é bom não. É bom evoluir, para frente, melhorar as coisas”, responde. Cleber.

Fonte: Jornal Nacional Edição do dia 12/12/2017