Governo da Colômbia e Farc assinam acordo de paz

Bala reciclada transformada em caneta para o processo de paz na Colômbia

Bala transformada em caneta é símbolo da assinatura de acordo de paz na Colômbia. Foto: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37471323



O governo da Colômbia e os guerrilheiros das Farc acabam de assinar o acordo de paz pra encerrar o conflito mais longo da história da América Latina.
Não são só assinaturas. É a história sendo escrita à mão. E com uma caneta feita de balas recicladas - símbolo de que o diálogo é mais forte que o fuzil.
Aqui, termina um capítulo que começou 52 anos atrás. O presidente Juan Manuel Santos, e o chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc, Rodrigo Londoño, selaram o acordo de paz em Cartagena, cidade caribenha da Colômbia.
Para chegar até aqui, essa história custou a vida de mais de 200 mil pessoas e forçou mais de cinco milhões de colombianos a sair de casa. As Farc são uma guerrilha de esquerda criada na década de 1960 para lutar por reforma agrária.
Com o tempo, passaram a controlar o tráfico de drogas para se financiar, e também sequestraram centenas de pessoas - entre elas, a ex-candidata, a presidente da Colômbia Ingrid Betancourt, resgatada em 2008. O acordo começou a ser costurado quatro anos atrás e foi mediado pelo presidente de Cuba, Raúl Castro.
As Nações Unidas estão monitorando o processo de paz na Colômbia. A guerrilha tem seis meses para entregar as armas a representantes da ONU. Elas vão ser destruídas. As Farc, provavelmente, vão se tornar um partido político, e os guerrilheiros que cometeram crimes serão julgados por um tribunal especial, que deve aplicar penas reduzidas - a não ser para aqueles que cometeram crimes de guerra.
Mas o acordo ainda tem que ser votado pela população, num referendo em 2 de outubro.
As pesquisas indicam que ele deve ser aprovado com ampla maioria.
Os Estados Unidos pretendem retirar as Farc da lista de grupos terroristas depois que o acordo for implementado. A União Europeia já fez isso temporariamente e permitiu que a guerrilha tenha acesso a ativos financeiros congelados há mais de dez anos no exterior.

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