Em 2050, o planeta estará 2° C mais quente

Pesquisa prevê que, apesar de todas as promessas feitas no Acordo de Paris, teto de aquecimento deve ser alcançado em poucas décadas. Em entrevista à DW, coautor da análise comenta resultados: "Previsões são ruins."

Mexiko Rio Grande Dürre Wetterphänomen El Nino (picture-alliances/AP Photo/S. Montoya Bryan)
Foto: http://www.dw.com.
A meta estabelecida pelo Acordo de Paris, de evitar que o planeta aqueça mais que 1,5°C até 2100, é considerada arriscada por cientistas: a elevação da temperatura acima desse ponto pode desencadear mudanças climáticas que ameaçam o modo de vida atual.
A marca pode ser ultrapassada já em 2050. Desde a Revolução Industrial, a temperatura média subiu 1°C, segundo informações da Organização Mundial de Meteorologia, e um novo estudo coordenado por Robert Watson, ex-presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC)
O estudo mostra que, apesar de todas as promessas feitas pelos 195 países que assinaram o acordo até agora, os temidos 2°C a mais podem ser alcançados já dentro dos próximos 34 anos.  A análise também é assinada por José Goldemberg, professor da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
DW Brasil: Como chegaram à conclusão de que já em 2050 o mundo estará 2°C mais quente?
José Goldemberg: O estudo trabalhou com um modelo matemático que usou a trajetória de emissões dos diversos países. Também foram consideradas as Contribuições Nacionalmente Pretendidas (INDC, na sigla em inglês) de todos aqueles que assinaram o Acordo de Paris e se comprometeram a cortar os níveis de CO2 que despejam todos os anos na atmosfera. O nosso documento mostrou que, mesmo considerando todas as INDCs, medidas adicionais são necessárias. Ou seja, a velocidade com que os países estão tomando medidas pra reduzir as emissões tem que ser acelerada.
Sabemos que dez países são os que mais contribuem com gases estufa: China, Estados Unidos, União Europeia, Índia, Rússia, Indonésia, Brasil, Japão, Canadá e México. Desses, cinco são países em desenvolvimento. Os outros são países ricos com os maiores índices de emissão per capta. Por isso, a maior atenção tem que ser voltada para os grandes emissores, porque são eles que poderão adotar medidas que tenham impacto de fato.
Em relação ao Brasil, qual a principal preocupação diante dessa anunciada elevação da temperatura?
Temos estudos feitos aqui que mostram que uma das consequências é a savanização da Amazônia. Esse fenômeno teria um impacto terrível no país. A chuva que cai no Sul e Sudeste do país vem da Amazônia, por exemplo. Se a floresta virar uma savana, o regime de chuvas no Brasil vai mudar completamente. Atualmente, a região Norte está sofrendo com uma seca terrível. Os cientistas ainda não sabem se ela está relacionada diretamente com as mudanças climáticas, mas já é perceptível que essa sucessão de secas está aumentando e, por isso, as suspeitas são grandes.
O Brasil está preparado para enfrentar esse cenário?
Nós sabemos que a savanização da Amazônia, que traria uma mudança no regime de chuvas, provocaria impactos enormes. A nossa agricultura no Brasil, de modo geral, não é irrigada. Se o padrão de chuvas muda, será preciso aumentar a irrigação, o que implica também no aumento dos custos.
Na área de energia, a preocupação é grande também. Vimos que a falta de água nos reservatório levou o governo a usar as usinas térmicas que queimam carvão. Apesar de o Brasil, como um todo, estar reduzindo suas emissões, as do setor de energia estão aumentando. Queimar carvão é ruim para o clima, por isso a situação precisa ser revertida. Existem projetos de mais usinas movidas a carvão e eles são inquietantes. No setor industrial ainda há muito o que fazer: aqui no Brasil, as indústrias têm se preocupado pouco com redução de CO2, com exceção de poucos setores, como o do cimento, que fez alguns estudos.
É possível reverter esse quadro e frear a elevação da temperatura de 2°C até 2050?
Se as coisas continuarem como estão, não vai haver reversão. As previsões são ruins, por isso lançamos esse documento, para alertar que é preciso fazer mais do que está sendo feito.

Governo da Colômbia e Farc assinam acordo de paz

Bala reciclada transformada em caneta para o processo de paz na Colômbia

Bala transformada em caneta é símbolo da assinatura de acordo de paz na Colômbia. Foto: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37471323



O governo da Colômbia e os guerrilheiros das Farc acabam de assinar o acordo de paz pra encerrar o conflito mais longo da história da América Latina.
Não são só assinaturas. É a história sendo escrita à mão. E com uma caneta feita de balas recicladas - símbolo de que o diálogo é mais forte que o fuzil.
Aqui, termina um capítulo que começou 52 anos atrás. O presidente Juan Manuel Santos, e o chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc, Rodrigo Londoño, selaram o acordo de paz em Cartagena, cidade caribenha da Colômbia.
Para chegar até aqui, essa história custou a vida de mais de 200 mil pessoas e forçou mais de cinco milhões de colombianos a sair de casa. As Farc são uma guerrilha de esquerda criada na década de 1960 para lutar por reforma agrária.
Com o tempo, passaram a controlar o tráfico de drogas para se financiar, e também sequestraram centenas de pessoas - entre elas, a ex-candidata, a presidente da Colômbia Ingrid Betancourt, resgatada em 2008. O acordo começou a ser costurado quatro anos atrás e foi mediado pelo presidente de Cuba, Raúl Castro.
As Nações Unidas estão monitorando o processo de paz na Colômbia. A guerrilha tem seis meses para entregar as armas a representantes da ONU. Elas vão ser destruídas. As Farc, provavelmente, vão se tornar um partido político, e os guerrilheiros que cometeram crimes serão julgados por um tribunal especial, que deve aplicar penas reduzidas - a não ser para aqueles que cometeram crimes de guerra.
Mas o acordo ainda tem que ser votado pela população, num referendo em 2 de outubro.
As pesquisas indicam que ele deve ser aprovado com ampla maioria.
Os Estados Unidos pretendem retirar as Farc da lista de grupos terroristas depois que o acordo for implementado. A União Europeia já fez isso temporariamente e permitiu que a guerrilha tenha acesso a ativos financeiros congelados há mais de dez anos no exterior.

Morre, aos 93 anos, ex-presidente de Israel Shimon Peres

Último representante da geração que fundou o Estado israelense, ex-premiê foi uma das figuras mais importantes do país. Suas escolhas políticas lhe renderam um Nobel da Paz, mas foram também tema de constante debate.

Israel Prortrait Shimon Peres s/w
Morreu na madrugada desta quarta-feira (28/09), aos 93 anos, o ex-presidente e ex-primeiro-ministro Shimon Peres, uma das figuras políticas mais importantes da história de Israel, vencedor do Nobel da Paz de 1994 por seus esforços para a resolução do conflito com os palestinos.
O estado de saúde de Peres se deteriorou seriamente no início do mês, quando foi vítima de um derrame no dia 13 de setembro. Ele estava internado num hospital em Tel Aviv há duas semanas, e sua situação era acompanhada com apreensão em Israel.
Peres foi um dos membros fundadores do Estado de Israel em 1948 e um homem que dedicou sua vida à política, tendo chefiado quase todos os ministérios-chave em seu país, da Defesa às Finanças, passando pelas Relações Exteriores.
Ele ocupou cargos públicos em 12 ocasiões, durante as mais de seis décadas em que esteve ativo na política israelense. Por três vezes assumiu o posto de primeiro-ministro – uma vez de forma interina – mas foi como presidente que atingiu o auge de sua popularidade.
Sua maior marca como político: nunca ter deixado de acreditar que poderia haver uma solução pacífica para o conflito com os palestinos – o que lhe rendeu um Nobel da Paz. Sua forma de encarar o tema, porém, também foi alvo de críticas. Muitas vezes ele foi chamado de o "pai das armas nucleares de Israel".
Sonya Peres & Shimon Peres
Shimon Peres e a esposa Sonya, que morreu em 2011
No espaço de tempo entre a chegada com seus pais aos territórios palestinos, em 1934, e sua morte, a carreira de Peres foi motivo de debate: sem ele, não teria havido alguns assentamentos na Cisjordânia ou o reator nuclear de Dimona.
Shimon Peres, nascido Szymon Perski, deveria ter sido agricultor, segundo o desejo de seus pais. Ele nasceu em Wiszniewo, um vilarejo judaico no que era então território polonês (hoje Belarus). Quando seus pais deixaram a cidade rumo à Palestina, eles enviaram o filho de 11 anos para a escola agrícola Ben Shemen, no nordeste de Israel.
"Eu sempre tive a sensação de ter crescido em Israel", disse uma vez Peres sobre a sua infância. Quando adolescente, ele estava mais interessado em política e religião e se tornou um membro do atual Partido Trabalhista – sempre perseguiu o sonho de um Estado democrático, mas também judaico.
Shimon Peres foi um presidente moderno; um homem que olhava para o Ocidente e que queria desenvolver o Estado judaico. Ele era o último representante da geração que fundou o Estado de Israel contra todos os obstáculos. E exerceu seus cargos com dignidade e sabedoria, perseguindo uma visão de um novo Oriente Médio.
Carreira política precoce
David Ben-Gurion, primeiro chefe de governo de Israel, confiava em Peres e o enviou para comprar armas no exterior durante a guerra entre árabes e israelenses em 1948. Essa era uma tarefa estratégica que não se podia esperar, necessariamente, que um jovem de 25 anos viesse a cumprir. Outros de sua geração o criticaram por não ter lutado na linha de frente por um longo tempo.
Em 1956, ele ajudou a planejar a Guerra de Suez, na qual Israel invadiu o Egito, seguido pela França e pelo Reino Unido. Em acordo secreto no início de 1957, o então primeiro-ministro francês, Guy Mollet, prometeu a Peres a expertise para um grande reator no deserto de Neguev, perto da cidade de Dimona. Peres jamais teve a permissão para falar sobre isso em público.
Em 1970, Peres se tornou ministro dos Transportes e Comunicações e, quatro anos mais tarde, foi nomeado ministro da Defesa no governo de Yitzhak Rabin. Ao renunciar, Rabin passou seu posto a Peres, que serviu então como primeiro-ministro por vários meses até que fossem realizadas novas eleições. Ele também levou seu partido à derrota em três eleições gerais (1981, 1988 e 1996).
Foi Peres que aprovou a construção do primeiro assentamento – Kedumim – na Cisjordânia. Entre 1977 e 1992, ele foi presidente do Partido Trabalhista de Israel, mas nunca levou a legenda a ganhar uma eleição geral. Pelo contrário: sua candidatura em 1977 provocou o fim de muitos anos de hegemonia trabalhista.
O posto de chefe de governo foi então para o Likud. Depois de novas eleições, Peres se tornou primeiro-ministro (1984-1986) por meio de acordo de rotação num governo de unidade. Por três vezes, ele foi ministro do Exterior, entre 1986 e 2002.
Em 2000, concorreu para um mandato de sete anos como presidente de Israel, mas foi derrotado. No final, Peres conseguiu retornar, ficando na Presidência entre 2007 e 2014. Aqueles que haviam anunciado sua morte política estavam errados.
Shimon Peres e Yasser Arafat mostram um quadro com os dizeres paz
Shimon Peres e Yasser Arafat assinaram o Acordo de Paz de Oslo em 1993
Nobel e pacifismo
Shimon Peres foi um duro crítico da invasão israelense no Líbano em 1982 e apoiou fortemente o ponto de vista de que a questão palestina só poderia ser resolvida de forma política, não militar.
Na década de 1990, ele voltou cada vez mais sua atenção para o processo de paz, apesar de o papel que desempenhou anteriormente na aquisição do reator nuclear por parte de Israel e na política de assentamentos não ter sido esquecido.
Repetidamente, ele apelou tanto a israelenses quanto a palestinos para se juntarem ao processo de paz. "Nem foguetes nem bombas podem nos impedir de trazer a paz para o Oriente Médio", era o seu credo.
Ele foi o arquiteto do Acordo de Paz de Oslo, assinado com os palestinos em 1992, e recebeu o Prêmio Nobel da Paz junto a Yitzhak Rabin e Yasser Arafat. Quando Rabin foi assassinado em 1995, Peres assumiu interinamente, por pouco tempo, o cargo de primeiro-ministro.
Depois de perder a eleição, em 1996, ele fundou o Centro Peres para a Paz, num esforço de buscar a distensão entre Israel e seus vizinhos árabes. Aos 84 anos, ele desistiu da política partidária e concorreu para presidente. Os céticos estavam preocupados com a sua idade, mas Peres queria ser chefe de Estado.
O resultado, no entanto, foi uma surpresa: Moshe Katzav, um novato político, derrotou Peres e se tornou presidente em 2000. Posteriormente, a mídia israelense passou a afirmar que Peres sempre parecia estar à frente nas pesquisas de opinião, mas nunca ganhava uma eleição.
Quando Katzav foi forçado a renunciar, em 2007, na sequência de acusações de estupro e assédio sexual, o caminho para a presidência estava finalmente aberto a Peres. Ele continuou no cargo até 2014, já com 90 anos de idade.
"Eu já exerci quase todos os cargos eletivos. Eu sofri reveses. Mas eu também alcancei objetivos e espero que esses tenham contribuído para a nação, para a sua paz e segurança", declarou certa vez.

Fonte: http://www.dw.com/pt-br/morre-aos-93-anos-ex-presidente-de-israel-shimon-peres/a-35910331

Geografia do Paraná – UEM (Inverno 2016)

Questão 08 - Sobre  as  questões  socioeconômicas  que  dizem  respeito  ao Estado do Paraná, assinale o que for correto.

01) A disponibilidade de terras férteis, conjugada à presença de um relevo acidentado, explica, em grande parte, o forte destaque da agricultura familiar na Mesorregião Sudoeste Paranaense.
02) Nos  anos  de  1990,  as  condões  de  infraestrutura  da Mesorregião   Metropolitana   de   Curitiba   tiveram   um impacto negativo sobre a atração de novos investimentos, sobretudo para a implantação de um polo automotivo.
04) A  Mesorregião  Oeste  Paranaense  possui  uma  rede  de cidades fortalecida, dentre outras raes, pela presença de uma importante aglomeração urbana em área de fronteira internacional.
08) A crise da cafeicultura que atingiu a Mesorregião Norte Central  Paranaense se  deu  pelo  esgotamento dos  solos, resultando num brusco decnio da produtividade.
16) A dinâmica da Mesorregião Oeste Paranaense é expressiva e, por isso, tem se mostrado capaz de contrabalançar as tendências de concentração econômica e populacional do Estado rumo à Mesorregião Metropolitana de Curitiba.

Questão 09 - O turismo movimenta a economia de várias regiões e países do globo. A propósito dos atrativos turísticos do Paraná, assinale o que for correto.

01) O Parque Nacional do Iguaçu está situado inteiramente na Argentina, mas movimenta a economia do Sudoeste Paranaense.
02) Passeios pelas vias entre o Primeiro Planalto Paranaense e o litoral estão entre as atrações turísticas do Paraná.

04) No litoral paranaense, dentre as praias mais frequentadas, destaca-se o Balneário Camboriú.
08) A Usina Hidrelétrica Itaipu Binacional es localizada no Rio Iguaçu, consistindo em importante atrativo turístico da divisa entre o Brasil e a Argentina.

16) O Parque Estadual de Vila Velha é um sítio geológico, localizado no  município de Ponta Grossa, que chama a atenção dos turistas pela beleza visual.

Questão 12 - Sobre os recursos minerais explorados e suas potencialidades identificadas no Estado do Paraná, assinale o correto.
01) O caulim, mineral não metálico, é a matéria-prima para ser utilizada na fabricação de peças de porcelana. Suas maiores reservas localizam-se na Região Metropolitana de Curitiba e proximidades.
02) O calcário, rocha utilizada nas instrias de cimento e de corretivos de solos, é extraído de áreas de mineração a céu aberto localizadas nos municípios da porção leste paranaense.
04) O xisto é um minério utilizado na fabricação do ferro gusa, matéria-prima necessária às tecnologias atuais.
08) O  urânio,  um  mineral  radioativo  utilizado  em  usinas nucleares, foi descoberto também no Paraná.
16) O ouro e a prata minerais metálicos são extraídos em veios de quartzitos ou nas areias dos cursos dágua há mais de cem anos no Estado do Paraná.

Questão 17 - Assinale o correto sobre os tipos e os elementos do clima no Paraná.

01) A   região   litorânea   é   livre   de   geadas   devido   às características do clima tropical superúmido e do tipo de relevo.

02) Os municípios paranaenses que se situam em áreas com altitudes  elevadas  são  os  que  apresentam  temperaturas médias menores.

04) O período da estação seca no Paraná ocorre nos meses de outubro e novembro, devido à influência das massas de ar que circulam no nordeste brasileiro.

08) No oeste paranaense, a ocorrência de nevascas é frequente e intensa. Essas nevascas têm contribuído para a extinção da vegetação nativa de campos limpos.


16) O clima subtropical úmido mesotérmico, sem estação seca, com   verão   brando,   geadas   severas   e    média   das temperaturas  do  mês  mais  quente  inferior  a  22 ºC,  é característico do norte paranaense.