Brasileira, vice-presidente do IPCC alerta para custo do Aquecimento Global


"Quanto mais demorarmos para lidar com as mudanças climáticas, mais caro vai ficar"

Eleita vice-presidente do IPCC até 2020, a pesquisadora brasileira Thelma Krug fala sobre a certeza dos cientistas sobre a influência humana no clima do planeta e os desafios dos governos para frear o aquecimento global.
Thelma Krug
A pesquisadora brasileira Thelma Krug, vice-presidente do IPCC até 2020,

Pela primeira vez desde sua fundação, em 1988, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) terá mulheres no comando. Uma delas é a pesquisadora brasileira Thelma Krug, eleita para a vice-presidência do órgão até 2020. A posição também será ocupada pela norte-americana Ko Barrett e pelo malinês Youba Skona. O novo presidente do painel, o sul-coreano Hoesung Lee, assume no lugar de Rajendra Pachauri, que pediu demissão do cargo em fevereiro, após denúncias de assédio sexual.
Eleita por representantes de 195 países-membros, Thelma Krug, especialista em estatística espacial, é pesquisadora sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e preside a Força Tarefa em Inventários Nacionais de Gases de Efeito Estufa do IPCC desde 2002.
Em entrevista à DW Brasil, ela falou sobre os desafios do combate às mudanças climáticas e o papel do IPCC nas pesquisas que embasam decisões políticas.
DW Brasil: o IPCC forma toda a base científica para a discussão nas Conferências do Clima. E a COP de Paris, em novembro, é especialmente importante, porque dela deve sair um acordo global para limitar as emissões de gases do efeito estufa. O que a senhora espera dessa conferência?
Thelma Krug: A mensagem no último relatório é muito forte, e eu espero que os países não esqueçam disso durante as negociações em Paris. Eu vejo três mensagens principais. Uma delas é sobre a certeza da influência humana: nós estamos influenciando o sistema climático e de uma forma crescente.
A segunda mensagem diz que se as coisas continuarem como estão – ou seja, se as emissões continuarem crescendo ao longo do tempo, principalmente no setor de energia –, enfrentaremos riscos de impactos severos e irreversíveis. Isso vale tanto para as pessoas quanto para os ecossistemas.
Assistir ao vídeo 02:57( http://dw.com/p/1G3kT)

Satélites medem os impactos das mudanças climáticas

E a última, que eu acho a mais interessante, é a mensagem positiva que o IPCC procurou passar no relatório: há condições de lidar com a mudança do clima e com os riscos associados a ela. Há soluções possíveis que permitem a continuidade do desenvolvimento humano e econômico.
É preciso reverter e muito as emissões dos gases do efeito estufa se os países quiserem chegar a um aumento máximo de 2ºC na temperatura glogal – que foi o limite acertado pelos países nas negociações. Quanto mais se prorrogar isso, mais caro vai ficar. Maiores serão os desafios tecnológicos, institucionais e humanos.
O IPCC passou por uma crise de credibilidade em 2010, quando erros em alguns relatórios veio a público. Vocês ainda enfrentam problemas por causa disso?
Eu acredito que essa fase tenha sido completamente superada. Acho que essa fase inclusive ajudou o IPCC a fortalecer os seus procedimentos. O IPCC continua sendo a autoridade mais universalmente reconhecida no tema. A participação dos governos em todo o processo de aprovação dos relatórios do IPCC aumenta essa credibilidade.
Erros podem acontecer e precisam ser reconhecidos. O que foi feito depois daquele grande desafio que passamos foi uma revisão dos processos e procedimentos na elaboração do relatório. Erros são encontrados, e estamos falando de mais de 7 mil páginas de relatórios. Eu até acho surpreendente que não haja muitos erros, quando se considera esse volume todo: são cinco quilos de publicação com os três relatórios.
Quais são os próximos desafios científicos do IPCC?
Na minha opinião, temos dois desafios sempre presentes. Um deles é uma maior regionalização, ou seja, buscar uma melhor identificação dos riscos, impactos e mitigação de forma mais regionalizada. E a segunda é a busca incessante, a cada novo relatório, da redução das incertezas nos resultados que são apresentados. O conhecimento cientifico avançou muito em direção às certezas. E a gente espera que as incertezas não sejam um fator limitante para ações.
O Brasil passa por uma recessão neste momento, com cortes significativos em projetos de pesquisa. Isso pode afetar o avanço do conhecimento na área das mudanças climáticas no país?
O Brasil tem um grupo muito atuante na área de pesquisas de mudança do clima. Temos vários pesquisadores com uma atuação muito significativa dentro do IPCC. E essa participação não é por acaso. Ela é um reconhecimento dessa competência instalada no país e que tem que ser expandida.
Um dos pontos que eu acho importante é a capacidade do país de atuar em áreas onde países em desenvolvimento tem uma limitação grande, que é a area de modelagem. Modelagem é um dos elementos essenciais para os relatórios do IPCC e todos os grupos de trabalho.
Assistir ao vídeo 02:05(http://dw.com/p/1FvWq) 

Que tal um passeio pelo gelo eterno?

O Brasil tem uma competência cientifica, mas também a infraestrutura técnica, nós temos supercomputadores, isso faz com que o país esteja numa outra categoria. É um investimento alto, mas traz realmente um retorno significativo para o país, inclusive na parte de regionalização dos resultados. Isso só pode ser feito quando você refina esses modelos climáticos globais para os regionais.
Mas eu vejo o cenário com preocupação. Se esses investimentos não continuarem, principalmente nessa parte de infraestrutura também no sentido de assegurar que o conhecimento cientifico seja expandido, continuamente, nós sentiremos esse impacto no futuro.
O que ter uma pesquisadora na vice-presidência no IPCC representa para o Brasil?
Essa eleição como vice-presidente do IPCC representa a continuidade do reconhecimento do Brasil como um pais que tem capacidade cientifica e técnica para contribuir com o painel.
Desde o primeiro relatório do IPCC, ou seja, início dos anos 1990, o Brasil participou muito ativamente. Estamos falando de uma contribuição de 25 anos. No primeiro relatório, a co-presidência era do Dr. Gylvan Meira Filho. No ciclo seguinte, o próprio Dr. Gylvan esteve na vice-presidência do painel, e eu fui copresidente da Força Tarefa de Inventários Nacionais. Mas essa eleição tem uma uma característica distinta: dessa vez é uma mulher, e nunca houve mulheres nesse patamar de liderança do IPCC.
As pesquisadoras no IPCC também enfrentam machismo e preconceito?
O IPCC sempre menciona a questão do equilíbrio de gênero. Mas é claro que isso é sempre muito difícil. A própria participação dos países no painel é praticamente toda masculina.
Por isso, foi uma enorme supresa a constituição desse conselho que vai atuar até 2020 com o número significativo de mulheres em posições-chave. Demonstra uma mudança. Eu nunca digo que existe diferença significativa nos resultados, se liderado por mulher ou por homem, mas há diferença no processo, na forma como tudo acontece. Então será muito interessante observar como, nesse período, o processo poderá ser alterado com a participação de mulheres.

Fonte: DW.com (http://www.dw.com/pt/quanto-mais-demorarmos-para-lidar-com-as-mudan%C3%A7as-clim%C3%A1ticas-mais-caro-vai-ficar/a-18777053)

EUA e o Pacífico fecham o maior acordo de livre comércio da história

Depois de cinco anos de negociações, os Estados Unidos e o Japão selaram nesta segunda-feira o Acordo de Associação Transpacífico (TPP, em sua sigla em inglês) com outros dez países. O pacto de livre comércio une 40% da economia mundial e pode se transformar no maior acordo regional da história.
Fonte: dw.com
 O TPP, defendido pelo presidente Barack Obama como “o marco comercial do século XXI”, teve de superar questões de última hora entre os EUA e a Austrália em função das novas regulações da indústria farmacêutica. Seu objetivo consiste na redução de tarifas comerciais e no estabelecimento de novas normas comuns entre as 12 economias envolvidas, lideradas por EUA e Japão.
O embaixador norte-americano para a Organização Mundial do Comércio (OMC), Michael Froman, defendeu nesta segunda-feira em Atlanta que a TPP eleva os padrões comerciais para a região e responde aos desafios do século XXI. “O pacto promoverá o crescimento, protegerá postos de trabalho, reforçará a inovação, reduzirá a pobreza e promoverá a transparência”, disse Froman. Junto a ele, o representante australiano Hamish McCormick definiu o acordo como o primeiro pacto “ambicioso e renovador”, com capacidade para condicionar qualquer negociação futura.
O pacto abrange a criação de padrões comerciais, de investimento, intercâmbio de informações e de propriedade intelectual. Os demais países que negociam o acordo são Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura e Vietnã. 
 A TPP, que englobaria em torno de 40% da economia mundial, contribuiria para uma reformulação da indústria e influenciaria desde o preço do queijo até o custo dos tratamentos de câncer. O acordo estabelece reduções tarifárias para centenas de itens de importação, que vão desde carne de porco e bovina no Japão até caminhonetes nos Estados Unidos.
A rodada final de negociações em Atlanta, nos EUA, iniciada na última quarta-feira, esbarrava na questão da duração do monopólio de fabricantes da próxima geração de drogas biotecnológicas. Estados Unidos e Austrália negociaram uma solução.
Os EUA defendiam um período de doze anos de proteção de dados para encorajar as empresas farmacêuticas – como a Pfizer, a Genentech e a Takeda – a investir nos tratamentos biotecnológicos de alto custo, como o medicamento Avastin, da Genentech, de combate ao câncer.
A Austrália e a Nova Zelândia, além de organizações de saúde pública, defendiam que esse prazo deveria ser de cinco anos, para reduzir os custos aos programas médicos financiados pelos Estados.
Os negociadores chegaram a um acordo que estabeleceu um prazo entre cinco e oito anos, dentro do qual as empresas estarão livres da concorrência das versões genéricas, segundo as informações de pessoas presentes nas negociações a portas fechadas.
O TPP, proposto por Obama no início de seu primeiro mandato junto com outros quatro países, pode consolidar seu legado econômico na presidência. Os EUA conseguem com o acordo do Pacífico um novo marco que serve de contrapeso para a economia chinesa na região. Apesar de Pequim não estar envolvida nas negociações, realmente será afetada pelas consequências do pacto. Froman não quis se referir nesta segunda-feira às consequências da TPP para a economia chinesa. “Nossa mensagem é a de que todos os países estão muito felizes de ter chegado a um acordo que define as regras para a região com vistas ao futuro”, afirmou o representante norte-americano. “Estamos dispostos a compartilhar os resultados e favorecer a integração com outros países.”

Laticínios e automóveis

Nas horas finais das negociações, ainda houve impasses em relação às medidas de proteção aos produtores de laticínios. A Nova Zelândia, que abriga o maior exportador de produtos lácteos do mundo, a Fonterra, queria aumentar o acesso aos mercados americano, canadense e japonês.
Separadamente, os Estados Unidos, o México, o Canadá e o Japão concordaram com regras de padronização do comércio automotivo, que especificam o quanto de um veículo deve ser fabricado em países da TPP para poder se beneficiar das isenções tarifárias.
A TPP estabelece também padronizações mínimas para temas diversos que vão desde os direitos trabalhistas à proteção ambiental, além de estabelecer critérios para disputas entre governos e investidores estrangeiros, sem a necessidade de envolver os tribunais nacionais.

"Zona econômica livre e justa"

O presidente americano, Barack Obama, comemorou o fechamento do acordo, afirmando que "reflete os valores americanos", prioriza os interesses dos trabalhadores e permitirá ao país "exportar mais produtos com o selo 'Made in America' para todo o mundo".
Entretanto, o acordo ainda precisa da aprovação dos órgãos legislativos de todos os países envolvidos. Caso seja ratificada pelo Congresso dos Estados Unidos, a TPP poderá se tornar um dos maiores legados de Obama, que deixa o cargo no próximo ano.
O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, declarou que o tratado é uma "política clarividente para todos os países participantes, que compartilham os valores e almejam a construção de uma zona econômica livre e justa".
A TPP gerou grandes controvérsias em razão das negociações secretas que formataram o acordo nos últimos cinco anos, e era vista como ameaça por organizações de trabalhadores de fábricas de automóveis no México e pelos produtores canadenses de laticínios.

Fonte: http://www.dw.com/pt/eua-e-pa%C3%ADses-do-pac%C3%ADfico-fecham-maior-acordo-comercial-da-hist%C3%B3ria/a-18762502
http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/05/economia/1444048323_601347.html

10 por cento da população mundial abaixo da linha de pobreza

Este ano a pobreza extrema vai ficar abaixo dos 10 pontos percentuais. Pelo menos é o que garante o Banco Mundial.
Um relatório da instituição financeira internacional, com sede em Washington, revela que o número de pessoas a viver nessas condições tem vindo a diminuir ao longo dos últimos anos.
Pobreza extrema deve atingir menos de 10 por cento da população mundial
Fonte: euronews.com
 O número de pessoas vivendo na pobreza extrema deve cair para menos de 10 por cento da população mundial pela primeira vez em 2015, disse o Banco Mundial nesta segunda-feira, depois de revisar o padrão que usa para mensurar o problema.
Durante muito tempo a pobreza extrema foi definida como a subsistência com 1,25 dólar por dia ou menos, mas o ajuste do Banco Mundial agora situa a linha da pobreza em 1,90 dólar por dia.
O banco disse que a mudança reflete novos dados sobre as diferenças no custo de vida de vários países, mas preservando o poder de compra real da medida anterior.
Usando a nova referência, o Banco Mundial projeta que 702 milhões de pessoas, ou 9,6 por cento da população global, estará vivendo na pobreza extrema em 2015, um recuo em relação às 902 milhões de pessoas, ou 12,8 por cento da população, de 2012.
O banco global de empréstimos atribui a queda contínua na pobreza às taxas de crescimento robustas dos mercados emergentes, especialmente a Índia, e aos investimentos em educação, saúde e redes de proteção social.


“Essas projeções nos mostram que somos a primeira geração da história humana que pode erradicar a pobreza extrema”, disse o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, em comunicado.
Entretanto, ele alertou que um crescimento global mais lento, mercados financeiros voláteis, conflitos armados, taxas altas de desemprego entre os jovens e o impacto da mudança climática são obstáculos para se alcançar a meta da ONU de acabar com a pobreza até 2030, parte de uma nova série de objetivos de desenvolvimento adotados por 193 países na ONU no mês passado.
“Mas isso continua ao nosso alcance, contanto que nossas grandes aspirações sejam acompanhadas por planos de iniciativa dos países que ajudem os milhões de pessoas vivendo na pobreza extrema”, acrescentou Kim.
De acordo com o Banco Mundial, cerca de metade dos que ainda estarão vivendo na pobreza extrema até 2020 serão de nações de difícil acesso, frágeis e afetadas por conflitos. A África subsaariana representa cerca de metade dos pobres do mundo.


Fonte: http://pt.euronews.com/2015/10/05/pobreza-extrema-deve-atingir-menos-de-10-por-cento-da-populacao-mundial/
http://br.reuters.com/article/topNews/idBRKCN0RZ1IR20151005