BRICS criam banco para garantir infraestrutura



O banco dos Brics preencherá uma lacuna no financiamento mundial de obras de infraestrutura, deixando o Banco Mundial mais livre para financiar países mais pobres. Essa é a ideia do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que participa da cúpula do bloco em Durban.

Folha - Qual é a importância do Arranjo de Reservas Contingenciais?
Guido Mantega - Os Brics vão tomando medidas concretas de aproximação. Com o acordo de reservas, estamos partindo para a prática. Os Brics deixam de ser uma intenção de cooperação.
Se baterem o martelo mesmo, quando começa a funcionar o arranjo?
Precisaremos de autorização do Congresso antes de o arranjo entrar em funcionamento, porque mexe nas reservas do país.
Danilo Bandeira/Editoria de arte/Folhapress
Trata-se de um substituto para o FMI?
Não, o arranjo é complementar ao FMI. O FMI não é suficiente. Se tivermos mais mecanismos, isso dará mais segurança ao sistema financeiro internacional. Isso que está sendo feito é um seguro, para não ser usado.
Em que estágio está o banco dos Brics?
As duas coisas estão avançando em ritmo muito satisfatório, são coisas que normalmente levam muito tempo e estão indo rápido. Mas o banco leva mais tempo, porque é preciso definir onde é a sede, como será a governança. Mas há grande entusiasmo.
Qual é o principal objetivo do banco dos Brics?
O banco dos Brics preenche uma lacuna de financiamento a investimentos de infraestrutura.
Não existe hoje financiamento suficiente para infraestrutura no mundo. Nós vamos nos somar ao Banco Mundial. Este, provavelmente, ficaria mais focado nos países mais pobres.
Todos os países dos Brics concordam que o investimento em infraestrutura é o que se deve fazer em um período de crise.
Para fazê-los, é preciso muito dinheiro, e o banco dos Brics pode complementar o Banco Mundial e o BID, por exemplo.
E o acordo de troca de moedas que foi assinado com a China deve ser ampliado para outros países dos Brics?
Há a ideia de ampliar os "swaps" nos Brics, bilaterais, em moeda local. Nós iniciamos, mas deve se ampliar para outros países. 

Fonte: Folha S. Paulo  Caderno Mundo 27.03.2013

Nenhum comentário:

Postar um comentário